domingo, 27 de novembro de 2011 0 comentários

Ensinar Liberdade e viver Liberdade

Ontem, após fazer a postagem e ter citado o filme Easy Rider, resolvi curiosamente baixa-lo na internet e assistir pela primeira vez. não acredita? não importa, não peço pra você acreditar em nada que está escrito aqui, é só o que eu penso e/ou vivo. Mas educação a parte, baixei ele ontem e fui assistir ele hoje depois do almoço.  
Sinceramente eu esperava mais do filme, não gostei de diversas partes, mas nem tudo é lixo! há preciosidades no meio do refugo, dentre  elas, um novo conceito de Liberdade e uma explicação sobre o que o mundo pensa sobre isso.

a cena é a seguinte:

Billy, Capitão América  e George estão no meio de uma mata acampando. 
e Billy reclama com George que ninguém os aceita nas pensões...

e o diálogo segue assim:

-[...] Nem conseguimos entrar num hotel de segunda. Nem num hotel de segunda! Eles pensam que vamos mata-los, Têm medo.
- Eles não tem medo de vocês, Tem medo do que vocês significam.
- Significamos apenas alguém que precisa ter o cabelo cortado.
- não... O que significam pra eles...  é a Liberdade.
- A liberdade é o que é, oras!
- Claro, você está certo! ela é o que é! Mas, falar dela e pô-la em prática, são duas coisas diferentes. É difícil ser livre quando somos moeda de troca. portanto, não lhes digam que eles não são livres, porque desatam a matar e estripar pra provar que são.  E vão falar até cansar sobre a "liberdade individual"... Mas quando vêem um indivíduo LIVRE, ficam assustados.
- bem, eles não ficam assustados...
- não... Tornam-se perigosos.

é óbivio que qualquer coisa que tente resumir ou explicar esse diálogo torna-se desnecessário. portanto, findo aqui parafraseando john lennon: "viva e deixe viver".


sábado, 26 de novembro de 2011 0 comentários

Símbolo e Signo

O Símbolo é o mesmo sempre, mas o signo muda.

O que você vai ler nas próximas linhas (ou páginas) é o que eu aprendi, pensei e concluo hoje sobre motociclismo. se algum dia você me encontrar e perguntar de qual "fonte" eu tirei esse raciocínio, não espere que eu lhe leve até uma biblioteca ou mesmo a uma oficina de concessionária. sobre tudo, também não se assuste se o meu maior "professor" de motociclismo for um homem do campo, que vende peixes de água doce e tem uma moto com menos de 500 cilindradas. 

Este capítulo eu dedico a ele!

Falar de motociclismo é pensar antes de mais nada na origem do cavalo de aço que tanto idolatramos. Também é claro que não precisamos ir tão tão longe, afinal poderíamos afirmar um início um tanto quanto "incerto" para algumas pessoas, como: "No princípio, criou Deus os céus e a terra". mas podemos ir um pouco mais adiante. 

"Então o alemão Gotlieb Daimler junto com o seu colega Wilhelm Maybach foram os primeiros homens a colocarem um motor de meio cavalo num bicíclo..." 

Pensando melhor, podemos ir um pouco mais adiante ainda.


O ponto onde eu quero chegar neste momento é em 1903 quando William Harley e Arthur Davidson botaram a cabeça pra quebrar e depois de muito erro saíram as primeiras 50 "monstras"  da oficina "Harley-Davidson" em 1906.

Tudo funcionaria muito bem, se não fosse um sistema patriota, altamente preocupado em armar-se e contar mentiras (histórias oficiais) para seus filhos, como os Estados Unidos. E é aí que a história "começa a sujar". 

Saltando um pouco mais adiante, logo após a segunda guerra em que o "Glorioso estado escolhido" ganhou, não há dúvidas de que não ha como dissimilar a tríade: Estados Unidos, Exército e Harley Davidson.

Seus soldados metidos a durões (que passavam 70% do tempo escondidos em trincheiras) agora se viam no direito de "descansar eternamente" como aposentados de guerra. Não obstante, Com o sentimento de que agora a Nação Tinha uma dívida com cada um, muitos ex-combatentes se viram no direito de arruaçarem o que quiserem e então o velho conceito muda. agora a nova tríade é: Herói de guerra, Harley Davidson, Rebeldia.

E isso soou bem, de certa forma. Pois, até poderia ser reprimido pela nação, mas havia um outro problema: A supremacia de mercado.

Qual é o carro que ainda faz mais sucesso no mercado? é claro que a resposta desde o Fusca é o VolksWagem! (que obviamente é uma marca dos generalizados inimigos Nazistas alemães!). Quantos Modelos de carro você conhece da Chrysler? Você conhece essa marca? pois bem! o desejo da supremacia americana ultrapassava as cifras no banco nacional, era necessário um produto que todos consumissem (além da coca cola e do Jeans), era necessário um veículo, e como o campo das quatro rodas já estava preenchida pelos "krautz" só sobrava a idéia de investir em duas rodas...

Algum estalo na sua cabeça filho?

rs... bem... continuemos.

As festividades para os ex-combatentes (todas patrocinadas pelo governo) eram fomentadas pelos participantes Elitistas que possuíam as motos Harley Davidson. Festas, Clubes, e condecorações eram distribuídas aos que se inseriam nesta proposta de consumo inconsciente. 

Bem, agora que você sabe o princípio "Econômico" da coisa, deixe-me passar para a próxima página.


A história voa agora para o fim da década de 1960. Tempo de rebeldia, oposição aos bons modos, sobre-tudo a forte moralidade vivenciada na década de 50. época perfeita para "o produto dos durões" voltar a tona. Mesmo assim, o modelo durão militar americano já não competia com rebeldia dos Hippies e das flores. portanto, novamente a estrutura da Tríade se altera. E agora o padrão é: Rebeldia, Harley Davidson e Hippies.

Nossa assimilação atual no brasil ao hippie como pobre é extremamente errônea. De fato, os participantes desta ideologia estão estreitamente ligados com o desapego aos bens materiais como uma gigantesca procissão de franciscanos. Sobre tudo, estamos falando de um país (agora EUA) que passou por uma crise em 1929, mas ficou 5 anos sem comercializar com os outros países. Resultado: Um país muito abastado economicamente, no fim de 1960.
Logo, a aquisição de um produto nacional era bem viável para a nação americana.

O movimento hippie foi muito intenso, mas posso compara-lo com uma imagem que fica no fundo de um rio. Se você mexer muito a água para pega-la, esteja certo que a água vai se tornar turva, e você não conseguirá ver nada. Este é o caso do movimento hippie, precisou passar por um filtro, e a síntese da soma "Paz+Amor" nada mais é do que igual a LIBERDADE. E não demorou muito para o cinema americano compreender isso e mesclar os elementos da tríade transformando-o num simples slogan "Harley = liberdade". E em 1975 a marca estava registrada: Easy rider passava nas telas e inspiravam todos jovens a montarem em suas máquinas logo após ouvir "Born to be Wild!" E como a motos dos protagonistas já não eram Harleys em sua originalidade, a combinação: Harley e liberdade dá espaço para a generalização ainda maior: Moto e Liberdade. 

e de lá pra cá a coisa desandou mesmo.

Mas há um período em que eu não consigo compreender o que exatamente aconteceu. recordando os capítulos, conseguimos ver claramente os movimentos de 50' 60' e até 70' amplamente ativos e com as bikes fora da garagem numa boa. Mas minha lacuna encontra-se em 1980 e 1990. O que houve com os motociclistas? Acabou a gasolina? ou o sonho? E claro que as motos não desapareceram no ar entre um dia e outro. Mas o que infelizmente eu preciso acreditar é que estas motos ficaram jogadas nas garagens e abandonadas pela poeira, e não se atrevem mais a ligar... e isso não é bom, filho...

Dos poucos que continuaram na ativa, hoje se dão ao luxo de dizer que possuem um motoclube com "tradição" de looongos 20 e poucos anos. Oras, se isso é tradição, quão ancião sou eu aos meus 24 anos de idade! tradição seria ultrapassar os quarenta anos de motoclube, seria ser fundado por ex-militares, e herdado por seus filhos hippies e herdado novamente pelos seus filhos roqueiros... aí sim. Mas agora o papo é outro.

De lá pra cá, filho, estamos falando do início do ano 2000.
quando eu ainda era bem, bem moleque mesmo e vi pela primeira vez na banca, uma revista chamada "MOTO!" a seguinte Manchete: "O é isso que todos estão falando sobre MOTO-TURISMO?" Começava aí uma nova abordagem Sobre O Motociclismo. O inferno dos  bares de beira de estrada havia acabado. os acampamentos super naturais também. A onda agora era viajar para lugares turísticos onde "A moto faz parte da paisagem" e você é no mínimo um hospede de hotel.

De lá pra cá tudo é um misto cada vez mais louco. todos se reúnem em pontos turísticos em fins de semana, com área de camping coberta (absurdo maior não há). no mesmo lugar coexistem ex-militares, hippies, neo-ripies, rebeldes, anti-militaries Metidos a revolucionários, malucos beleza e roqueiros. Ainda que fosse essa LAVAGEM o motociclismo todo, poderiamos tolerar. Pois a história é escrita assim, com essa nojenta conjuntura. Entretanto, o problema em foco é o que essa mescla gera como filho.

Pessoas com motos cada vez mais "comerciais" idênticas a outras, sem estilo próprio. Homens que não sabem fazer um mísero ajuste em suas próprias máquinas, e só o lavajato as conhece tão bem. São escórias com coletes de couro sintético, cheio de pinduricalhos e bordados com frases escritas (como se eu fosse ler isso a 100 km/h). chamando todos de irmãos, e abandonando os mesmos coletes nos domingos a noite para pegar o terno na segunda de manhã.

De fato não sou da época mais antiga, mas com certeza não sei o que é o motociclismo hoje em dia. 
segunda-feira, 21 de novembro de 2011 0 comentários

Histórias do lobo do mar

Ontem a tarde fomos (eu e minha família) até a casa do tio de minha esposa para tomar um café juntamente com a família dele  para comemorar sua chegada de viagem. De fato não é uma viagem qualquer. Afinal, hoje ele mora na Bahia e foi com seu motoclube até o Ushuaia (terra do fogo, Argentina). Foram 40 dias de viagem e 38.000 quilômetros rodados em cima de uma moto e aqui ele estava de volta para comemorar este grande feito.

Então ali estávamos. Todos assentados em volta da grande mesa de granito escuro onde cabia todos assentados confortavelmente em cadeiras de couro pretas enquanto ele e sua esposa nos serviam e andavam em volta da mesa ajustando as coisas.


- Senta cara!
- Não! rs.... Eu já fiquei sentado 40 dias em cima da moto. agora eu quero é ficar em pé, he he he. 

E ali escorando no balcão com o cotovelo e uma xícara de café na outra mão, punha-se a contar.

Contou caso de corrente estourada, de 3 pneus trocados, de propinas para policiais, de valores de "pesos" (dois por um em relação ao brasil), de gasolina, de vento forte, de estrada de cascalho, de frio (muito frio) e de lugares bonitos (muito bonitos).

A cena estava clássica. parecia um marujo que depois de viver 50 anos no mar, retornava ao casebre do campo para contar suas aventuras aos netos. 

E como nem todos os netos são iguais as exclamações pautavam na sua mais distante variedade:

- Eu? 40 dias em cima de uma moto? você tá é doido!
- O que? ir nesta distância? não... meu lugar é em casa!
- E se chovesse?
- Nem que me pagassem um milhão de Dólares! meu lugar é viajando no exterior, mas de avião!

...Dentre as outras respostas.

No entanto ficava eu pensando no marco histórico que esse cara fez e isso vai muito mais além do que as fotos das férias (fora de época). Isso marca a sua própria história, marca as gerações!

E é exatamente naquela cena clássica que eu conseguia me enxergar como algo diferente de todas aquelas xícaras de porcelanas, pães caros, cozinha moderna ou recheios para as massas ali presente.

Não sou eu um algo melhor, ou de valor destacável. sou apenas incompatível. Não cresci com programas familiares de fins de semana. Não cresci pra ter dinheiro, não cresci pra mordomia e a filosofia do motociclismo veio a calhar! Na verdade caiu como uma luva. 

Enquanto leves escárnios eram proferidos frente as aventuras, ali estava eu, com os olhos brilhando e a garganta seca... como um neto de Dom quixote que dera crédito ao seu avô.

Perguntava valores, distâncias, circuítos, medos, climas, rotas, e até sobre pousadas. pois um dia quero fazer uma longa viagem como esta. 

A cena era claramente divisória: todas as mulheres escarneavam reclamando das condições, meu sogro até sorria as vezes, mas penso eu que ele tem em mente que já está velho demais ou desanimado demais para isso, o primo de minha esposa, alegre com a chegada do pai estava ali para ouvi-lo, mas de fato acredito eu que não se comparava a sede de liberdade com a qual eu estava (e ainda estou).



Por isso é que recomendo a minha 
esposa e minha filha mais velha 
desde já... 
Gostem de moto....
Pois minha filha que está pra 
nascer pode não ter o mesmo gosto da irmã ou da mãe...


o caminho da diferença começa aí!

Pois para errar um alvo (ou neste caso acertar um alvo diferente) o míssil não converge 180° na base...
ele apenas converge 0,2° 
o resto quem faz é a distância. 
domingo, 20 de novembro de 2011 0 comentários

Princípios de independência e liberdade

Acredite no que digo, filho. eu já tenho idade suficiente para ser seu pai e um espírito vivo o suficiente para ser seu neto.

Pensar em adquirir uma moto é muito mais do que pensar em fazer uma dívida a longa distância (ou poupar muito tempo). Também não está ligado a possuir apenas um bem material (um patrimônio, assim dizendo). Comprar uma moto é afirmar-se alternativo. 

é engraçado o meu modo de falar, pois pareço-me agora com aqueles que acabaram de comprar uma moto, mas a verdade é que o espírito da independência e liberdade, mesmo depois de anos são os mesmos.

sobretudo...

Pensar em valores de aquisição de liberdade, individualidade e independência vão além das menções econômicas. vem de dentro da cabeça.

Se todos dizem: Vamos de carro! 
você ajusta o capacete e liga a moto. não precisa de explicação ou resposta. 

O vento no rosto e a possibilidade de ir, voltar, sair, estacionar em qualquer lugar é um valor tão pessoal e alternativo quanto escolher o melhor lugar do cinema mesmo com ele vazio!

O que se soma a esta, é que pensar em liberdade e independência não significa só contar com a possibilidade de que a qualquer hora você pode ligar uma máquina que explode no mínimo 150 vezes entre a suas pernas enquanto você carrega um galão de 8 litros de líquido inflamável  na frente de seu peito. o que o torna independente e corajoso é a cara limpa de sair de onde você quer, a hora que quer, pra onde você quer e voltar quando quer.

É exatamente pra isso que a moto está aqui na sua garagem. pra lhe mostrar o quanto você pensa ou está afim de viver de verdade.

Pessoalmente quando visito minha sogra nos domingos, minha família (esposa e filhas vão no carro) e eu sigo de moto atrás. 
primeiro porque não suporto a demora de tudo no enfadante domingo, segundo porque pra qualquer "pití" que alguém der lá na casa e eu não topar, minha "passagem" de volta pra minha casa já está garantida. E por fim (e não menos importante), porque andar de moto é sempre muito bom!

Falando em família, afirmo: Casar é muito bom! Principalmente quando seu outro lado gosta de fazer algumas coisas "a mais" com você! he he he é... é isso mesmo que você está pensando, passear nos fins de dia (ou semana) de moto, ou aproveitar o fim de tarde de domingo visitando a cidade vizinha. É sempre muito bom quando você tem idéias a compartilhar e elas só podem ser distribuídas após alguns quilômetros em cima de uma moto, molhada com cerveja e defumada com charuto. Mas como O SOL NÃO NASCE PRA TODOS, a moto é a sua unica companheira. é ela que dialoga com você nesta estrada silenciosa que apenas abre espaço para as vozes na sua cabeça enquanto pilotas e o ronco do motor em alta rotação.

por isso:

Quando tudo parecer difícil, ligue a moto
Quando parecer enfadante, ligue a moto
Quando houver companhia, ligue a moto
Quando não houver companhia, ligue a moto (você não está só)
Quando tudo tudo estiver bem, ligue a moto... 
(você não sabe como pode melhorar)
0 comentários
Considere agora que a palavra em foco neste caderno é MOTO.
sempre foi, é e sempre será.



 
;