O Símbolo é o mesmo sempre, mas o signo muda.
O que você vai ler nas próximas linhas (ou páginas) é o que eu aprendi, pensei e concluo hoje sobre motociclismo. se algum dia você me encontrar e perguntar de qual "fonte" eu tirei esse raciocínio, não espere que eu lhe leve até uma biblioteca ou mesmo a uma oficina de concessionária. sobre tudo, também não se assuste se o meu maior "professor" de motociclismo for um homem do campo, que vende peixes de água doce e tem uma moto com menos de 500 cilindradas.
Este capítulo eu dedico a ele!
Falar de motociclismo é pensar antes de mais nada na origem do cavalo de aço que tanto idolatramos. Também é claro que não precisamos ir tão tão longe, afinal poderíamos afirmar um início um tanto quanto "incerto" para algumas pessoas, como: "No princípio, criou Deus os céus e a terra". mas podemos ir um pouco mais adiante.
"Então o alemão Gotlieb Daimler junto com o seu colega Wilhelm Maybach foram os primeiros homens a colocarem um motor de meio cavalo num bicíclo..."
Pensando melhor, podemos ir um pouco mais adiante ainda.
O ponto onde eu quero chegar neste momento é em 1903 quando William Harley e Arthur Davidson botaram a cabeça pra quebrar e depois de muito erro saíram as primeiras 50 "monstras" da oficina "Harley-Davidson" em 1906.
Tudo funcionaria muito bem, se não fosse um sistema patriota, altamente preocupado em armar-se e contar mentiras (histórias oficiais) para seus filhos, como os Estados Unidos. E é aí que a história "começa a sujar".
Saltando um pouco mais adiante, logo após a segunda guerra em que o "Glorioso estado escolhido" ganhou, não há dúvidas de que não ha como dissimilar a tríade: Estados Unidos, Exército e Harley Davidson.
Seus soldados metidos a durões (que passavam 70% do tempo escondidos em trincheiras) agora se viam no direito de "descansar eternamente" como aposentados de guerra. Não obstante, Com o sentimento de que agora a Nação Tinha uma dívida com cada um, muitos ex-combatentes se viram no direito de arruaçarem o que quiserem e então o velho conceito muda. agora a nova tríade é: Herói de guerra, Harley Davidson, Rebeldia.
E isso soou bem, de certa forma. Pois, até poderia ser reprimido pela nação, mas havia um outro problema: A supremacia de mercado.
Qual é o carro que ainda faz mais sucesso no mercado? é claro que a resposta desde o Fusca é o VolksWagem! (que obviamente é uma marca dos generalizados inimigos Nazistas alemães!). Quantos Modelos de carro você conhece da Chrysler? Você conhece essa marca? pois bem! o desejo da supremacia americana ultrapassava as cifras no banco nacional, era necessário um produto que todos consumissem (além da coca cola e do Jeans), era necessário um veículo, e como o campo das quatro rodas já estava preenchida pelos "krautz" só sobrava a idéia de investir em duas rodas...
Algum estalo na sua cabeça filho?
rs... bem... continuemos.
As festividades para os ex-combatentes (todas patrocinadas pelo governo) eram fomentadas pelos participantes Elitistas que possuíam as motos Harley Davidson. Festas, Clubes, e condecorações eram distribuídas aos que se inseriam nesta proposta de consumo inconsciente.
Bem, agora que você sabe o princípio "Econômico" da coisa, deixe-me passar para a próxima página.
A história voa agora para o fim da década de 1960. Tempo de rebeldia, oposição aos bons modos, sobre-tudo a forte moralidade vivenciada na década de 50. época perfeita para "o produto dos durões" voltar a tona. Mesmo assim, o modelo durão militar americano já não competia com rebeldia dos Hippies e das flores. portanto, novamente a estrutura da Tríade se altera. E agora o padrão é: Rebeldia, Harley Davidson e Hippies.
Nossa assimilação atual no brasil ao hippie como pobre é extremamente errônea. De fato, os participantes desta ideologia estão estreitamente ligados com o desapego aos bens materiais como uma gigantesca procissão de franciscanos. Sobre tudo, estamos falando de um país (agora EUA) que passou por uma crise em 1929, mas ficou 5 anos sem comercializar com os outros países. Resultado: Um país muito abastado economicamente, no fim de 1960.
Logo, a aquisição de um produto nacional era bem viável para a nação americana.
O movimento hippie foi muito intenso, mas posso compara-lo com uma imagem que fica no fundo de um rio. Se você mexer muito a água para pega-la, esteja certo que a água vai se tornar turva, e você não conseguirá ver nada. Este é o caso do movimento hippie, precisou passar por um filtro, e a síntese da soma "Paz+Amor" nada mais é do que igual a LIBERDADE. E não demorou muito para o cinema americano compreender isso e mesclar os elementos da tríade transformando-o num simples slogan "Harley = liberdade". E em 1975 a marca estava registrada: Easy rider passava nas telas e inspiravam todos jovens a montarem em suas máquinas logo após ouvir "Born to be Wild!" E como a motos dos protagonistas já não eram Harleys em sua originalidade, a combinação: Harley e liberdade dá espaço para a generalização ainda maior: Moto e Liberdade.
e de lá pra cá a coisa desandou mesmo.
Mas há um período em que eu não consigo compreender o que exatamente aconteceu. recordando os capítulos, conseguimos ver claramente os movimentos de 50' 60' e até 70' amplamente ativos e com as bikes fora da garagem numa boa. Mas minha lacuna encontra-se em 1980 e 1990. O que houve com os motociclistas? Acabou a gasolina? ou o sonho? E claro que as motos não desapareceram no ar entre um dia e outro. Mas o que infelizmente eu preciso acreditar é que estas motos ficaram jogadas nas garagens e abandonadas pela poeira, e não se atrevem mais a ligar... e isso não é bom, filho...
Dos poucos que continuaram na ativa, hoje se dão ao luxo de dizer que possuem um motoclube com "tradição" de looongos 20 e poucos anos. Oras, se isso é tradição, quão ancião sou eu aos meus 24 anos de idade! tradição seria ultrapassar os quarenta anos de motoclube, seria ser fundado por ex-militares, e herdado por seus filhos hippies e herdado novamente pelos seus filhos roqueiros... aí sim. Mas agora o papo é outro.
De lá pra cá, filho, estamos falando do início do ano 2000.
quando eu ainda era bem, bem moleque mesmo e vi pela primeira vez na banca, uma revista chamada "MOTO!" a seguinte Manchete: "O é isso que todos estão falando sobre MOTO-TURISMO?" Começava aí uma nova abordagem Sobre O Motociclismo. O inferno dos bares de beira de estrada havia acabado. os acampamentos super naturais também. A onda agora era viajar para lugares turísticos onde "A moto faz parte da paisagem" e você é no mínimo um hospede de hotel.
De lá pra cá tudo é um misto cada vez mais louco. todos se reúnem em pontos turísticos em fins de semana, com área de camping coberta (absurdo maior não há). no mesmo lugar coexistem ex-militares, hippies, neo-ripies, rebeldes, anti-militaries Metidos a revolucionários, malucos beleza e roqueiros. Ainda que fosse essa LAVAGEM o motociclismo todo, poderiamos tolerar. Pois a história é escrita assim, com essa nojenta conjuntura. Entretanto, o problema em foco é o que essa mescla gera como filho.
Pessoas com motos cada vez mais "comerciais" idênticas a outras, sem estilo próprio. Homens que não sabem fazer um mísero ajuste em suas próprias máquinas, e só o lavajato as conhece tão bem. São escórias com coletes de couro sintético, cheio de pinduricalhos e bordados com frases escritas (como se eu fosse ler isso a 100 km/h). chamando todos de irmãos, e abandonando os mesmos coletes nos domingos a noite para pegar o terno na segunda de manhã.
De fato não sou da época mais antiga, mas com certeza não sei o que é o motociclismo hoje em dia.
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