quinta-feira, 29 de dezembro de 2011 0 comentários

Raridade

Pega uma cerveja lá pra mim, filho! - argh... não aguento mais mexer com isso, tá óleo pra tudo quanto é lado e pode ter certeza que sua mãe vai falar até não aguentar mais na minha cabeça....

deixe-me sentar um pouco aqui... hunf....

Sabe filho, o que eu estou consertando aqui na sua frente enquanto você brinca entre as chaves de boca, pistões e carenagens não é uma raridade, é apenas uma máquina. Uma máquina que funciona muito bem aos nossos olhos. O equilíbrio, o vento, o ronco do motor, o conforto dos punhos e do banco, as distâncias entre as pedaleiras é tudo parte de uma grande máquina que explode inúmeras vezes debaixo de nossas pernas enquanto  corremos com um galão de gasolina próximo ao peito... é eu sei que eu já te disse isso antes, mas eu não me canso de me lembrar disso, e com orgulho. mas ainda sim é uma máquina...

Raridade é quem a pilota meu filho. Não pelo preço que a máquina possa custar, mas onde, e como esse "piloto" pode ir nela. 

Me deixe te ensinar uma coisa guri: Motociclismo de verdade não é pra qualquer um. querer que todos abram a mente e sejam motociclistas (vivendo e deixando viver em paz uns aos outros é a mais fajuta utopia). anteriormente eu pensava que motociclismo era pra poucos, e moto (Talvez) pra qualquer um. hoje vejo que pra ter uma moto é preciso ser uma pessoa equilibrada (literalmente)... 

Mas motociclismo não tem remédio. Ou você nasce para aquilo, ou não. não tem como se tornar, querer, ou acostumar para ser motociclista. Não existe adaptações. motociclismo é uma veia muito fina e funda dentro do peito de poucos (dos raros), geralmente ela pula (não aparece) durante gerações... é isso mesmo, talvez você vai se tornar um homem de negócios sério meu filho, cheio de trabalho e papeis timbrados de sua firma em cima da mesa e bem possivelmente vai se esquecer de tudo isso que te disse, vai se esquecer das noites como essas que passávamos aqui na garagem de casa, ouvindo country e fazendo reparos nas motos. vai se casar com uma mulher muito bonita (e talvez só bonita por fora).

mas talvez... talvez... seu filho...

...meu neto.

...Talvez meu segundo neto
aquele que você deixou pra sua mulher escolher o nome, aquele que nem sempre cumprimenta todos educadamente quando vai a algum lugar, aquele que você tira por baixo quando o compara com o seu primogênito, é esse que gosta de vir na casa do vô. enquanto o mais velho não tolera quinquilharia e coisas velhas, o mais novo vai correr pra garagem na minha frente, vai montar naquela moto toda empeirada e suja-la de refrigerante enquanto me ouve contar sobre quando atravessei o pais todo em cima desta mesma moto. 

mas tudo é um talvez. O que nós podemos fazer? he he he... esperar. o motociclista já nasce com todo o espírito motociclistico. não aprende ou se forma em "motologia" rs, a única coisa que ele faz ao completar 18 anos (no caso da habilitação para pilotar na estrada) é SER ENCONTRADO.

o motociclista deixa pistas a vida toda de que é motociclista, seja nas notas da escola, nas garotas do colegial, nas amizades e companheirismo, como é olhado pelas autoridades, que trabalho tem, tudo faz parte de uma gigantesca conjuntura e não tem como definir exatamente o que levará a ser ou não. é apenas uma razão de É ou não É motociclista.

"ser ou não ser" não é a questão. o problema é que Motociclistas de verdade estão ficando raros, como os dinossauros. e exatamente como eles, o mesmos motociclistas estão se destruindo, de uma forma predatória eu acho que isso é bom, porque assim refina o que é mesmo motociclista, mas chegaremos a um dia que sobrará só um carnívoro e: ou ele morrerá de fome, ou comerá a si mesmo.

é por isso que mesmo sendo raros como somos, deixamos o que aprendemos par os outros. muitos que não são (e nunca foram), leem essas coisas e não entendem, não concordam, não gostam. mas há quem diz: Não! não joga fora isso não! deixa aí que eu vou dar uma lida. e é pra ele que isso tudo aqui serve.

Sabe filho, espero muito mesmo que essa veia aqui continue em você, mas se não der certo...

eu tentei.
domingo, 18 de dezembro de 2011 0 comentários

Primeira tentativa de voo

Tá saindo da garagem pela primeira vez para ir a um motofest sozinho, sem clube nenhum e não sabe o que fazer né filho? é.... eu sei que nada começou fácil! mas não é porque tudo é tão difícil que não precise de uma ajuda. não é? bem... isso aqui não é um manual a ser seguido a risca, mas eu sempre revejo meus conceitos antes de participar de um motofest, e acredito que, quem quer que leia isso precise disso também.


AMARRE AS CALÇAS!
Em eventos e motofest é muito comum a presença das gurias “despercebidas” próximo a garagem. Em geral isso é um interessante chamariz para brigas, pois: ou as mesmas possuem um namorado próximo, ou estão com algum parente que de longe a vigiar. Portanto tenha prudência antes de tentar uma aproximação para o acasalamento.

TERRITÓRIO DE LOBOS!
...O conceito de território para os motoclubes é tão estreito quanto o assunto de seus membros. Por exemplo: experimente abrir uma barraca que não é sua, ou colocar um capacete que não é seu, ou ficar muito tempo montado numa moto desconhecida ou até se assentar numa mesa sem ser convidado.

ESTRADEIRO SANGUE NOZÓIO
Se você ainda é filhote mantenha a linha na estrada e evite ficar trançando entre os anciões (mesmo possuindo uma moto com maior cilindrada), se possui uma moto mais fraca, o conselho é implícito. Nenhum motociclista gosta de neguinho de CG abaixado na estrada pra tentar acompanhar a CB do lado...

HIERARQUIA
Dentro dos limites da razão, qualquer requisição feita por um Motociclista de posto mais elevado deve ser obedecida. Portanto, em teoria, as primazias de um motoclube como entrar nas cidades onde se passa viajando, entrar na área do motofest, estender bandeira, fazer inscrição são privilégios da alta hierarquia seguindo em fila até os prósperos. Com exceção em que o presidente pedir sua ajuda!
[nota: não há problema, se por cordialidade você ser o puxa fila dentro da estrada, desde que ao entrar numa cidade você reconheça seu verdadeiro lugar no comboio]

CURTO E GROSSO
Embora o título desta dica lembre o tipo de ação/reação dos motociclistas presentes, o assunto vai para o outro lado agora. Você já ouviu o som de uma moto Custom? é exatamente Curto e grosso... com intervalo entre uma cilindrada e outra dentro do motor. e é assim que deve ser. Não há nada tão baixo quanto ficar de zueira ou ficar bancando o motoqueiro em motofest (cortando giro e fazendo zueira na hora dos shows, ou as famosas “manobras” no meio do publico) portanto. Não confunda bizarro com esparro. Lugar de esparro é no circo.


RESPEITO É BOM E CONSERVA OS DENTES .
O conselho a seguir vai de complemento ao 4º conselho; embora a questão “cilindrada” defina bem os lugares numa disputa de potencias, deve-se levar em conta acima de tudo o verdadeiro espírito que os guia. A saber o de duas rodas. Portanto, qualquer cilindrada abaixo de sua motocicleta merece o mesmo respeito e consideração na estrada, pois são as mesas rodas que nos levam a um sentimento de liberdade impar.
Em casos extremos, é comum vermos motociclistas ajudarem ciclistas ou andarilhos, cedendo alojamento ou qualquer auxilio leve necessário.

O QUE IMPORTA É:
Embora não falte adereços e penduricalhos para indicar o que você pensa, gosta ou espera da vida nos motofests, é necessário salientar a importância deste conselho. Nos eventos é comum conhecer pessoas de várias tribos e costumes. Lembre-se sempre: eles estão interessados em quem você é! Não no que tem! debaixo dessa pele, a caveira é igual pra todos e suas características de caráter são muito mais importantes do que o emprego que você possui no seu quotidiano. Seus troféus de batalhas são revelados com o tempo, não num bate papo em volta da mesa enquanto troca bottons. Fica a dica!

NÃO SERÁS FARDO PARA TEU GRUPO
Nos tempos antigos, um samurai ferido, enfermo ou envelhecido era simplesmente feito em pedaços pelos seus pares. Porém, com o tempo, passou a ser considerado mais digno deixar que o próprio samurai acabasse com sua vida.
Em resumo desta parte quero mencionar veementemente a palavra DESCONFIOMETRO! Se você não consegue seguir o comboio, está com problemas e sente uma nuvem de impaciência por parte do grupo frente a seu problema, dê a bandeira de “segue-viagem” pra eles e tente se levantar sozinho. Se conseguir, bem! Se não, reconheça. Você está fraco o suficiente para desistir!

bem... agora continuaria o assunto no âmbito dos plurais (motociclistas/motoclube, por exemplo), então é hora de deixar o papo para um outro capítulo. Mas não se esqueça do que está escrito aqui.

Slow and ever! 
domingo, 27 de novembro de 2011 0 comentários

Ensinar Liberdade e viver Liberdade

Ontem, após fazer a postagem e ter citado o filme Easy Rider, resolvi curiosamente baixa-lo na internet e assistir pela primeira vez. não acredita? não importa, não peço pra você acreditar em nada que está escrito aqui, é só o que eu penso e/ou vivo. Mas educação a parte, baixei ele ontem e fui assistir ele hoje depois do almoço.  
Sinceramente eu esperava mais do filme, não gostei de diversas partes, mas nem tudo é lixo! há preciosidades no meio do refugo, dentre  elas, um novo conceito de Liberdade e uma explicação sobre o que o mundo pensa sobre isso.

a cena é a seguinte:

Billy, Capitão América  e George estão no meio de uma mata acampando. 
e Billy reclama com George que ninguém os aceita nas pensões...

e o diálogo segue assim:

-[...] Nem conseguimos entrar num hotel de segunda. Nem num hotel de segunda! Eles pensam que vamos mata-los, Têm medo.
- Eles não tem medo de vocês, Tem medo do que vocês significam.
- Significamos apenas alguém que precisa ter o cabelo cortado.
- não... O que significam pra eles...  é a Liberdade.
- A liberdade é o que é, oras!
- Claro, você está certo! ela é o que é! Mas, falar dela e pô-la em prática, são duas coisas diferentes. É difícil ser livre quando somos moeda de troca. portanto, não lhes digam que eles não são livres, porque desatam a matar e estripar pra provar que são.  E vão falar até cansar sobre a "liberdade individual"... Mas quando vêem um indivíduo LIVRE, ficam assustados.
- bem, eles não ficam assustados...
- não... Tornam-se perigosos.

é óbivio que qualquer coisa que tente resumir ou explicar esse diálogo torna-se desnecessário. portanto, findo aqui parafraseando john lennon: "viva e deixe viver".


sábado, 26 de novembro de 2011 0 comentários

Símbolo e Signo

O Símbolo é o mesmo sempre, mas o signo muda.

O que você vai ler nas próximas linhas (ou páginas) é o que eu aprendi, pensei e concluo hoje sobre motociclismo. se algum dia você me encontrar e perguntar de qual "fonte" eu tirei esse raciocínio, não espere que eu lhe leve até uma biblioteca ou mesmo a uma oficina de concessionária. sobre tudo, também não se assuste se o meu maior "professor" de motociclismo for um homem do campo, que vende peixes de água doce e tem uma moto com menos de 500 cilindradas. 

Este capítulo eu dedico a ele!

Falar de motociclismo é pensar antes de mais nada na origem do cavalo de aço que tanto idolatramos. Também é claro que não precisamos ir tão tão longe, afinal poderíamos afirmar um início um tanto quanto "incerto" para algumas pessoas, como: "No princípio, criou Deus os céus e a terra". mas podemos ir um pouco mais adiante. 

"Então o alemão Gotlieb Daimler junto com o seu colega Wilhelm Maybach foram os primeiros homens a colocarem um motor de meio cavalo num bicíclo..." 

Pensando melhor, podemos ir um pouco mais adiante ainda.


O ponto onde eu quero chegar neste momento é em 1903 quando William Harley e Arthur Davidson botaram a cabeça pra quebrar e depois de muito erro saíram as primeiras 50 "monstras"  da oficina "Harley-Davidson" em 1906.

Tudo funcionaria muito bem, se não fosse um sistema patriota, altamente preocupado em armar-se e contar mentiras (histórias oficiais) para seus filhos, como os Estados Unidos. E é aí que a história "começa a sujar". 

Saltando um pouco mais adiante, logo após a segunda guerra em que o "Glorioso estado escolhido" ganhou, não há dúvidas de que não ha como dissimilar a tríade: Estados Unidos, Exército e Harley Davidson.

Seus soldados metidos a durões (que passavam 70% do tempo escondidos em trincheiras) agora se viam no direito de "descansar eternamente" como aposentados de guerra. Não obstante, Com o sentimento de que agora a Nação Tinha uma dívida com cada um, muitos ex-combatentes se viram no direito de arruaçarem o que quiserem e então o velho conceito muda. agora a nova tríade é: Herói de guerra, Harley Davidson, Rebeldia.

E isso soou bem, de certa forma. Pois, até poderia ser reprimido pela nação, mas havia um outro problema: A supremacia de mercado.

Qual é o carro que ainda faz mais sucesso no mercado? é claro que a resposta desde o Fusca é o VolksWagem! (que obviamente é uma marca dos generalizados inimigos Nazistas alemães!). Quantos Modelos de carro você conhece da Chrysler? Você conhece essa marca? pois bem! o desejo da supremacia americana ultrapassava as cifras no banco nacional, era necessário um produto que todos consumissem (além da coca cola e do Jeans), era necessário um veículo, e como o campo das quatro rodas já estava preenchida pelos "krautz" só sobrava a idéia de investir em duas rodas...

Algum estalo na sua cabeça filho?

rs... bem... continuemos.

As festividades para os ex-combatentes (todas patrocinadas pelo governo) eram fomentadas pelos participantes Elitistas que possuíam as motos Harley Davidson. Festas, Clubes, e condecorações eram distribuídas aos que se inseriam nesta proposta de consumo inconsciente. 

Bem, agora que você sabe o princípio "Econômico" da coisa, deixe-me passar para a próxima página.


A história voa agora para o fim da década de 1960. Tempo de rebeldia, oposição aos bons modos, sobre-tudo a forte moralidade vivenciada na década de 50. época perfeita para "o produto dos durões" voltar a tona. Mesmo assim, o modelo durão militar americano já não competia com rebeldia dos Hippies e das flores. portanto, novamente a estrutura da Tríade se altera. E agora o padrão é: Rebeldia, Harley Davidson e Hippies.

Nossa assimilação atual no brasil ao hippie como pobre é extremamente errônea. De fato, os participantes desta ideologia estão estreitamente ligados com o desapego aos bens materiais como uma gigantesca procissão de franciscanos. Sobre tudo, estamos falando de um país (agora EUA) que passou por uma crise em 1929, mas ficou 5 anos sem comercializar com os outros países. Resultado: Um país muito abastado economicamente, no fim de 1960.
Logo, a aquisição de um produto nacional era bem viável para a nação americana.

O movimento hippie foi muito intenso, mas posso compara-lo com uma imagem que fica no fundo de um rio. Se você mexer muito a água para pega-la, esteja certo que a água vai se tornar turva, e você não conseguirá ver nada. Este é o caso do movimento hippie, precisou passar por um filtro, e a síntese da soma "Paz+Amor" nada mais é do que igual a LIBERDADE. E não demorou muito para o cinema americano compreender isso e mesclar os elementos da tríade transformando-o num simples slogan "Harley = liberdade". E em 1975 a marca estava registrada: Easy rider passava nas telas e inspiravam todos jovens a montarem em suas máquinas logo após ouvir "Born to be Wild!" E como a motos dos protagonistas já não eram Harleys em sua originalidade, a combinação: Harley e liberdade dá espaço para a generalização ainda maior: Moto e Liberdade. 

e de lá pra cá a coisa desandou mesmo.

Mas há um período em que eu não consigo compreender o que exatamente aconteceu. recordando os capítulos, conseguimos ver claramente os movimentos de 50' 60' e até 70' amplamente ativos e com as bikes fora da garagem numa boa. Mas minha lacuna encontra-se em 1980 e 1990. O que houve com os motociclistas? Acabou a gasolina? ou o sonho? E claro que as motos não desapareceram no ar entre um dia e outro. Mas o que infelizmente eu preciso acreditar é que estas motos ficaram jogadas nas garagens e abandonadas pela poeira, e não se atrevem mais a ligar... e isso não é bom, filho...

Dos poucos que continuaram na ativa, hoje se dão ao luxo de dizer que possuem um motoclube com "tradição" de looongos 20 e poucos anos. Oras, se isso é tradição, quão ancião sou eu aos meus 24 anos de idade! tradição seria ultrapassar os quarenta anos de motoclube, seria ser fundado por ex-militares, e herdado por seus filhos hippies e herdado novamente pelos seus filhos roqueiros... aí sim. Mas agora o papo é outro.

De lá pra cá, filho, estamos falando do início do ano 2000.
quando eu ainda era bem, bem moleque mesmo e vi pela primeira vez na banca, uma revista chamada "MOTO!" a seguinte Manchete: "O é isso que todos estão falando sobre MOTO-TURISMO?" Começava aí uma nova abordagem Sobre O Motociclismo. O inferno dos  bares de beira de estrada havia acabado. os acampamentos super naturais também. A onda agora era viajar para lugares turísticos onde "A moto faz parte da paisagem" e você é no mínimo um hospede de hotel.

De lá pra cá tudo é um misto cada vez mais louco. todos se reúnem em pontos turísticos em fins de semana, com área de camping coberta (absurdo maior não há). no mesmo lugar coexistem ex-militares, hippies, neo-ripies, rebeldes, anti-militaries Metidos a revolucionários, malucos beleza e roqueiros. Ainda que fosse essa LAVAGEM o motociclismo todo, poderiamos tolerar. Pois a história é escrita assim, com essa nojenta conjuntura. Entretanto, o problema em foco é o que essa mescla gera como filho.

Pessoas com motos cada vez mais "comerciais" idênticas a outras, sem estilo próprio. Homens que não sabem fazer um mísero ajuste em suas próprias máquinas, e só o lavajato as conhece tão bem. São escórias com coletes de couro sintético, cheio de pinduricalhos e bordados com frases escritas (como se eu fosse ler isso a 100 km/h). chamando todos de irmãos, e abandonando os mesmos coletes nos domingos a noite para pegar o terno na segunda de manhã.

De fato não sou da época mais antiga, mas com certeza não sei o que é o motociclismo hoje em dia. 
segunda-feira, 21 de novembro de 2011 0 comentários

Histórias do lobo do mar

Ontem a tarde fomos (eu e minha família) até a casa do tio de minha esposa para tomar um café juntamente com a família dele  para comemorar sua chegada de viagem. De fato não é uma viagem qualquer. Afinal, hoje ele mora na Bahia e foi com seu motoclube até o Ushuaia (terra do fogo, Argentina). Foram 40 dias de viagem e 38.000 quilômetros rodados em cima de uma moto e aqui ele estava de volta para comemorar este grande feito.

Então ali estávamos. Todos assentados em volta da grande mesa de granito escuro onde cabia todos assentados confortavelmente em cadeiras de couro pretas enquanto ele e sua esposa nos serviam e andavam em volta da mesa ajustando as coisas.


- Senta cara!
- Não! rs.... Eu já fiquei sentado 40 dias em cima da moto. agora eu quero é ficar em pé, he he he. 

E ali escorando no balcão com o cotovelo e uma xícara de café na outra mão, punha-se a contar.

Contou caso de corrente estourada, de 3 pneus trocados, de propinas para policiais, de valores de "pesos" (dois por um em relação ao brasil), de gasolina, de vento forte, de estrada de cascalho, de frio (muito frio) e de lugares bonitos (muito bonitos).

A cena estava clássica. parecia um marujo que depois de viver 50 anos no mar, retornava ao casebre do campo para contar suas aventuras aos netos. 

E como nem todos os netos são iguais as exclamações pautavam na sua mais distante variedade:

- Eu? 40 dias em cima de uma moto? você tá é doido!
- O que? ir nesta distância? não... meu lugar é em casa!
- E se chovesse?
- Nem que me pagassem um milhão de Dólares! meu lugar é viajando no exterior, mas de avião!

...Dentre as outras respostas.

No entanto ficava eu pensando no marco histórico que esse cara fez e isso vai muito mais além do que as fotos das férias (fora de época). Isso marca a sua própria história, marca as gerações!

E é exatamente naquela cena clássica que eu conseguia me enxergar como algo diferente de todas aquelas xícaras de porcelanas, pães caros, cozinha moderna ou recheios para as massas ali presente.

Não sou eu um algo melhor, ou de valor destacável. sou apenas incompatível. Não cresci com programas familiares de fins de semana. Não cresci pra ter dinheiro, não cresci pra mordomia e a filosofia do motociclismo veio a calhar! Na verdade caiu como uma luva. 

Enquanto leves escárnios eram proferidos frente as aventuras, ali estava eu, com os olhos brilhando e a garganta seca... como um neto de Dom quixote que dera crédito ao seu avô.

Perguntava valores, distâncias, circuítos, medos, climas, rotas, e até sobre pousadas. pois um dia quero fazer uma longa viagem como esta. 

A cena era claramente divisória: todas as mulheres escarneavam reclamando das condições, meu sogro até sorria as vezes, mas penso eu que ele tem em mente que já está velho demais ou desanimado demais para isso, o primo de minha esposa, alegre com a chegada do pai estava ali para ouvi-lo, mas de fato acredito eu que não se comparava a sede de liberdade com a qual eu estava (e ainda estou).



Por isso é que recomendo a minha 
esposa e minha filha mais velha 
desde já... 
Gostem de moto....
Pois minha filha que está pra 
nascer pode não ter o mesmo gosto da irmã ou da mãe...


o caminho da diferença começa aí!

Pois para errar um alvo (ou neste caso acertar um alvo diferente) o míssil não converge 180° na base...
ele apenas converge 0,2° 
o resto quem faz é a distância. 
domingo, 20 de novembro de 2011 0 comentários

Princípios de independência e liberdade

Acredite no que digo, filho. eu já tenho idade suficiente para ser seu pai e um espírito vivo o suficiente para ser seu neto.

Pensar em adquirir uma moto é muito mais do que pensar em fazer uma dívida a longa distância (ou poupar muito tempo). Também não está ligado a possuir apenas um bem material (um patrimônio, assim dizendo). Comprar uma moto é afirmar-se alternativo. 

é engraçado o meu modo de falar, pois pareço-me agora com aqueles que acabaram de comprar uma moto, mas a verdade é que o espírito da independência e liberdade, mesmo depois de anos são os mesmos.

sobretudo...

Pensar em valores de aquisição de liberdade, individualidade e independência vão além das menções econômicas. vem de dentro da cabeça.

Se todos dizem: Vamos de carro! 
você ajusta o capacete e liga a moto. não precisa de explicação ou resposta. 

O vento no rosto e a possibilidade de ir, voltar, sair, estacionar em qualquer lugar é um valor tão pessoal e alternativo quanto escolher o melhor lugar do cinema mesmo com ele vazio!

O que se soma a esta, é que pensar em liberdade e independência não significa só contar com a possibilidade de que a qualquer hora você pode ligar uma máquina que explode no mínimo 150 vezes entre a suas pernas enquanto você carrega um galão de 8 litros de líquido inflamável  na frente de seu peito. o que o torna independente e corajoso é a cara limpa de sair de onde você quer, a hora que quer, pra onde você quer e voltar quando quer.

É exatamente pra isso que a moto está aqui na sua garagem. pra lhe mostrar o quanto você pensa ou está afim de viver de verdade.

Pessoalmente quando visito minha sogra nos domingos, minha família (esposa e filhas vão no carro) e eu sigo de moto atrás. 
primeiro porque não suporto a demora de tudo no enfadante domingo, segundo porque pra qualquer "pití" que alguém der lá na casa e eu não topar, minha "passagem" de volta pra minha casa já está garantida. E por fim (e não menos importante), porque andar de moto é sempre muito bom!

Falando em família, afirmo: Casar é muito bom! Principalmente quando seu outro lado gosta de fazer algumas coisas "a mais" com você! he he he é... é isso mesmo que você está pensando, passear nos fins de dia (ou semana) de moto, ou aproveitar o fim de tarde de domingo visitando a cidade vizinha. É sempre muito bom quando você tem idéias a compartilhar e elas só podem ser distribuídas após alguns quilômetros em cima de uma moto, molhada com cerveja e defumada com charuto. Mas como O SOL NÃO NASCE PRA TODOS, a moto é a sua unica companheira. é ela que dialoga com você nesta estrada silenciosa que apenas abre espaço para as vozes na sua cabeça enquanto pilotas e o ronco do motor em alta rotação.

por isso:

Quando tudo parecer difícil, ligue a moto
Quando parecer enfadante, ligue a moto
Quando houver companhia, ligue a moto
Quando não houver companhia, ligue a moto (você não está só)
Quando tudo tudo estiver bem, ligue a moto... 
(você não sabe como pode melhorar)
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Considere agora que a palavra em foco neste caderno é MOTO.
sempre foi, é e sempre será.



 
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