Pega uma cerveja lá pra mim, filho! - argh... não aguento mais mexer com isso, tá óleo pra tudo quanto é lado e pode ter certeza que sua mãe vai falar até não aguentar mais na minha cabeça....
deixe-me sentar um pouco aqui... hunf....
Sabe filho, o que eu estou consertando aqui na sua frente enquanto você brinca entre as chaves de boca, pistões e carenagens não é uma raridade, é apenas uma máquina. Uma máquina que funciona muito bem aos nossos olhos. O equilíbrio, o vento, o ronco do motor, o conforto dos punhos e do banco, as distâncias entre as pedaleiras é tudo parte de uma grande máquina que explode inúmeras vezes debaixo de nossas pernas enquanto corremos com um galão de gasolina próximo ao peito... é eu sei que eu já te disse isso antes, mas eu não me canso de me lembrar disso, e com orgulho. mas ainda sim é uma máquina...
Raridade é quem a pilota meu filho. Não pelo preço que a máquina possa custar, mas onde, e como esse "piloto" pode ir nela.
Me deixe te ensinar uma coisa guri: Motociclismo de verdade não é pra qualquer um. querer que todos abram a mente e sejam motociclistas (vivendo e deixando viver em paz uns aos outros é a mais fajuta utopia). anteriormente eu pensava que motociclismo era pra poucos, e moto (Talvez) pra qualquer um. hoje vejo que pra ter uma moto é preciso ser uma pessoa equilibrada (literalmente)...
Mas motociclismo não tem remédio. Ou você nasce para aquilo, ou não. não tem como se tornar, querer, ou acostumar para ser motociclista. Não existe adaptações. motociclismo é uma veia muito fina e funda dentro do peito de poucos (dos raros), geralmente ela pula (não aparece) durante gerações... é isso mesmo, talvez você vai se tornar um homem de negócios sério meu filho, cheio de trabalho e papeis timbrados de sua firma em cima da mesa e bem possivelmente vai se esquecer de tudo isso que te disse, vai se esquecer das noites como essas que passávamos aqui na garagem de casa, ouvindo country e fazendo reparos nas motos. vai se casar com uma mulher muito bonita (e talvez só bonita por fora).
mas talvez... talvez... seu filho...
...meu neto.
...Talvez meu segundo neto
aquele que você deixou pra sua mulher escolher o nome, aquele que nem sempre cumprimenta todos educadamente quando vai a algum lugar, aquele que você tira por baixo quando o compara com o seu primogênito, é esse que gosta de vir na casa do vô. enquanto o mais velho não tolera quinquilharia e coisas velhas, o mais novo vai correr pra garagem na minha frente, vai montar naquela moto toda empeirada e suja-la de refrigerante enquanto me ouve contar sobre quando atravessei o pais todo em cima desta mesma moto.
mas tudo é um talvez. O que nós podemos fazer? he he he... esperar. o motociclista já nasce com todo o espírito motociclistico. não aprende ou se forma em "motologia" rs, a única coisa que ele faz ao completar 18 anos (no caso da habilitação para pilotar na estrada) é SER ENCONTRADO.
o motociclista deixa pistas a vida toda de que é motociclista, seja nas notas da escola, nas garotas do colegial, nas amizades e companheirismo, como é olhado pelas autoridades, que trabalho tem, tudo faz parte de uma gigantesca conjuntura e não tem como definir exatamente o que levará a ser ou não. é apenas uma razão de É ou não É motociclista.
"ser ou não ser" não é a questão. o problema é que Motociclistas de verdade estão ficando raros, como os dinossauros. e exatamente como eles, o mesmos motociclistas estão se destruindo, de uma forma predatória eu acho que isso é bom, porque assim refina o que é mesmo motociclista, mas chegaremos a um dia que sobrará só um carnívoro e: ou ele morrerá de fome, ou comerá a si mesmo.
é por isso que mesmo sendo raros como somos, deixamos o que aprendemos par os outros. muitos que não são (e nunca foram), leem essas coisas e não entendem, não concordam, não gostam. mas há quem diz: Não! não joga fora isso não! deixa aí que eu vou dar uma lida. e é pra ele que isso tudo aqui serve.
Sabe filho, espero muito mesmo que essa veia aqui continue em você, mas se não der certo...
eu tentei.

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