Nos anos difíceis do clube que pertenci, antes de você ter aprendido a falar, tínhamos que fazer muito para sustentar “as coisas” que fazíamos. Uma delas era defender o nosso espaço. Perdemos pessoas que chamamos de irmãos, que vieram aqui em casa e jantaram com sua mãe e eu, que carregou as compras da sua avó na rua e que esteve comigo quando tive que me recuperar no hospital por semanas por conta de um acidente. Essas pessoas eram importantes demais para nós. Mas infelizmente se foram.
Naquela época não havia a
internet como é hoje. As pessoas não tinham essa intensa necessidade de mostrar
para o mundo cada mísero detalhe das suas nuanças. Elas se ajuntavam pelo
lógico e obvio além de seus sensos de moral. Se uma pessoa gostava de
cheeseburguer com um pão diferente ou outra gostasse apensa sem nenhum molho,
não ficavam nestes por menores, todos gostavam de cheeseburger e foda-se.
O fato é que com o tempo essas
pequenas diferenças se tornaram palco ou meta para as pessoas defenderem
unicamente e exclusivamente essas metas com suas vidas, como se estivessem
militando É... vc já ouviu esse termo antes!) numa única frente de batalha uma
guerra inteira. E por isso as guerras contra racismo, religiões, política
possuem personificações. Essas são as
“guerras contra”. Naturalmente uma pessoa equalizada com o bom senso terá boas
opiniões sobre essas coisas, mas não ficará batendo numa só pauta a vida toda.
Dizer que isso é o obvio é
ridículo. seria como quando tive que
ensinar a você a aprender a não colocar a mão na tomada. São princípios
básicos, mas também te ensinei a não mexer com fogo sem minha ajuda, não correr
com objetos pontiagudos. Meu inimigo não era a tomada nem o fogo tão pouco
objetos pontiagudos... era com você que eu estava me preocupando.
Por isso, penso que as pessoas
perdem suas vidas com linhas únicas de “guerra contra” uma só coisa ao invés de
serem a favor de si mesmas, de seus ideais, dos seus... contra todo o resto.
Ser
contra coisas óbvias e aprender que minúcias podem parecer certas e comuns, mas
no final são erradas, faz todo o sentido para nossa humanidade. Mas não gaste sua
vida (consciência, tempo, saúde e reservas) com coisas que nunca serão
totalmente erradicadas. Mas, gaste sim todos esses valores de vida com as
pessoas que estão próximas de você, que você as considera. Honrando-as,
protegendo-as e suprindo para que estejam firmes quando você também cair.
Depois
de um tempo, entendemos que “Guerra” é o tempo todo, e não precisamos esquentar
a cabeça contra o que ou quem, mas sim em favor de quem precisamos lutar. O
inimigo ou as dificuldades pouco importam se seu objetivo é fortalecer seu
núcleo.
Um
ditado judeu já dizia, “se todo mundo varrer a porta de casa a rua fica limpa”.
E hoje você já é crescido o suficiente para compreender quem é a sua casa, e zelar
por ela.

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