segunda-feira, 12 de janeiro de 2026

Guerras contra, Guerras a favor

         Nos anos difíceis do clube que pertenci, antes de você ter aprendido a falar, tínhamos que fazer muito para sustentar “as coisas” que fazíamos. Uma delas era defender o nosso espaço. Perdemos pessoas que chamamos de irmãos, que vieram aqui em casa e jantaram com sua mãe e eu, que carregou as compras da sua avó na rua e que esteve comigo quando tive que me recuperar no hospital por semanas por conta de um acidente. Essas pessoas eram importantes demais para nós. Mas infelizmente se foram.

Naquela época não havia a internet como é hoje. As pessoas não tinham essa intensa necessidade de mostrar para o mundo cada mísero detalhe das suas nuanças. Elas se ajuntavam pelo lógico e obvio além de seus sensos de moral. Se uma pessoa gostava de cheeseburguer com um pão diferente ou outra gostasse apensa sem nenhum molho, não ficavam nestes por menores, todos gostavam de cheeseburger e foda-se.

O fato é que com o tempo essas pequenas diferenças se tornaram palco ou meta para as pessoas defenderem unicamente e exclusivamente essas metas com suas vidas, como se estivessem militando É... vc já ouviu esse termo antes!) numa única frente de batalha uma guerra inteira. E por isso as guerras contra racismo, religiões, política possuem personificações.  Essas são as “guerras contra”. Naturalmente uma pessoa equalizada com o bom senso terá boas opiniões sobre essas coisas, mas não ficará batendo numa só pauta a vida toda.

Dizer que isso é o obvio é ridículo.  seria como quando tive que ensinar a você a aprender a não colocar a mão na tomada. São princípios básicos, mas também te ensinei a não mexer com fogo sem minha ajuda, não correr com objetos pontiagudos. Meu inimigo não era a tomada nem o fogo tão pouco objetos pontiagudos... era com você que eu estava me preocupando.

Por isso, penso que as pessoas perdem suas vidas com linhas únicas de “guerra contra” uma só coisa ao invés de serem a favor de si mesmas, de seus ideais, dos seus... contra todo o resto.

                Ser contra coisas óbvias e aprender que minúcias podem parecer certas e comuns, mas no final são erradas, faz todo o sentido para nossa humanidade. Mas não gaste sua vida (consciência, tempo, saúde e reservas) com coisas que nunca serão totalmente erradicadas. Mas, gaste sim todos esses valores de vida com as pessoas que estão próximas de você, que você as considera. Honrando-as, protegendo-as e suprindo para que estejam firmes quando você também cair.

                Depois de um tempo, entendemos que “Guerra” é o tempo todo, e não precisamos esquentar a cabeça contra o que ou quem, mas sim em favor de quem precisamos lutar. O inimigo ou as dificuldades pouco importam se seu objetivo é fortalecer seu núcleo.

                Um ditado judeu já dizia, “se todo mundo varrer a porta de casa a rua fica limpa”. E hoje você já é crescido o suficiente para compreender quem é a sua casa, e zelar por ela.

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