15/02/12 IMUTAVEL
“Eu prefiro ser essa metamorfose ambulante” foi a frase que guiou muitos durante muito tempo. Uns empolgados pela pegada da harmônica que a música tinha, outros por ideologia. Mas quer saber: não há como preferir ou escolher ser uma metamorfose ambulante e deixar a vida a esmo. É por isso que tanto eu, quanto você, escolhemos ser “imutáveis”.
Eu sei que de cara você não vai concordar com isso e vão faltar dedos em suas mãos (E pés) pra me provar quantas coisas você já mudou. E não se assuste, eu não quero saber. O que está em jogo aqui não são as “mudanças” que você fez pra agradar alguém, por algum tempo. Mas, as mudanças que fez e nunca mais desfez. É por isso que novamente eu torno a dizer que nós, você, eu e toda a humanidade cremos e escolhemos andar sobre a alcunha de imutabilidade.
Embora isso se pareça ruim ou não seja visto com bons olhos, acredite guri, é exatamente isso que nos torna diferentes um dos outros! São nossas escolhas, fixas, estreitas, imutáveis que carregamos ao longo do tempo que nos torna dignos de possuir uma identidade única. E quando me refiro a identidade única, esteja certo. Ninguém é igual a você. Nem quem você acredita que seja sua alma gêmea. Ela é no mínimo um complemento ao que te falta. É o seu alter-ego. É alguém que você nunca quer e/ou vai ser. Mas semelhante à importância da gasolina para a sua moto, essa pessoa é pra você.
Não é estranho conhecermos pessoas que estão juntas e de fato são opostas, não são “almas gêmeas” e muitas vezes são almas inimigas, mas seus pontos opostos são como os dentes da coroa que se encaixam na fenda da corrente, arrancando a moto com firmeza, sem deslizes. Mesmo assim, são pessoas diferentes.
Encontrar uma guria para ser sua Senhora, de fato não é uma tarefa fácil, nunca foi e nunca será. Mas é necessário tato (literalmente) para compreender onde esta senhora o completa, através de suas falhas, sem lhe arrancar nada.
Independente de sua preferência de companhia (ou solidão) de viagem, há interessantes sensações de uma boa companhia, como recostar as costas nos seios dela enquanto pilota! Ou quando parar par a um acampamento ter algo mais quente do que a fogueira e o whiskey pra se aquecer. Sem contar nas histórias pra acumular a dois. Sobre tudo, afirmo novamente, ninguém é igual a ninguém e todos somos imutáveis.
Você pode achar estranho isso, ou até algo parecido com um desabafo. De fato seria sim a alguns anos atrás. Se eu não aprendesse que não há melhor companhia do que somente a sua mesma, e que “quem nasceu pra ser solitário precisa de muito tempo sozinho”. Seria um desabafo de um jovem lobo solitário. Mas é a vida, e nela, sou muito grato por aprender desta forma. O que eu quero dizer, ou onde eu quero chegar é : Se você tem alguma pretensão de ter alguém no seu carona, abraçado a você, com o rosto no seu retrovisor, é bom que escolha antes alguém que já goste disso. Com todos os meus dentes podres na boca, o que eu quero dizer é que NUNCA TENTE ADEQUAR ALGUÉM. Modificar uma pessoa ao seu capricho pessoal é como tentar fazer um pato latir. Você não vai conseguir nem um “au” e o pato vai ficar muito estressado.
Pegar uma estrada com uma companhia é sentir-se honrado, pegar uma estrada sem uma companhia é ter a esperança na irmandade existente em cada motociclista que se encontra na estrada e/ou no destino, mas não pegar uma estrada por conta de uma companhia é desrespeitar si próprio.
Privar-se de seus hábitos ou diversão a troco de necessidade alguma de alguém, apenas por puro zelo deste que te serve como âncora num porto é um dos piores males existentes entre os “humanos desumanos”. Ter uma necessidade de presença do outro é amplamente compreensível, o grande axioma problemático está quando este que te “detém” o faz por puro capricho, na necessidade de te re-modelar no parâmetro pessoal deste primeiro.
E fugindo ao vocabulário culto aí acima, a coisa fica muito simples depois disso tudo: O barco amarrado não agüenta ver a maré puxar e rompe com a corrente da ancora desatando um único elo para aí sim, cada um fazer exatamente o que nasceu pra fazer: o barco para seguir seu curso, e a ancora para afundar e ficar parada. Infelizmente é uma realidade, mesmo sabendo que um barco precisa de uma ancora e que uma ancora sem um barco não tem utilidade.
Respeite as pessoas que você escolheu trazer pra perto de você. Se elas quiserem vir contigo, curta! Rock’n roll tá aí pra isso! Se não, Respeite-as, arrume a sua moto e vá sozinho. Pode ter certeza que nem na estrada e nem no destino você ficará sozinho. Mas vá!!

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